Unidade registra aumento de 13% nos atendimentos, redução no tempo de internação e crescimento nas cirurgias

Há três meses, os corredores do Hospital e Pronto-Socorro (HPS) Dr. Aristóteles Platão Bezerra de Araújo, na Zona Leste de Manaus, estão sem macas com pacientes no aguardo de atendimentos. A unidade de saúde passou, nas últimas semanas, por melhorias estruturais, reformas, que já deram um novo visual para o local, mas estão inseridas em um contexto ainda maior de eficiência, rapidez nas respostas aos doentes e humanização de todos os procedimentos.
Os grandes destaques das mudanças são o Fast Track e o Sistema Manchester de Classificação de Risco. Enquanto um prioriza a rapidez, o outro adequa o atendimento conforme a gravidade do estado de saúde. A prática traz uma realidade inovadora para o Platão, 40 minutos é o tempo médio que pacientes de baixa complexidade levam desde a entrada até a saída do hospital. Nesse período eles são recepcionados, passam por uma triagem e vão paro pronto atendimento para consulta e, se necessário, medicação. https://www.smartadserver.com/ac?siteid=482434&pgid=1518426&fmtid=38614&tgt=foo%3Dbar&tag=sas_38614&out=amp-hb&isasync=1&pgDomain=https%3A%2F%2Fwww.acritica.com%2Fsaude%2Fplat-o-araujo-modelo-de-eficiencia-e-humanizac-o-1.388329&tmstp=0-42902714232908007560&__amp_source_origin=https%3A%2F%2Fwww.acritica.com
Tudo acontece em um novo espaço, não apenas recém inaugurado (outubro de 2025), mas também inovador diante do que se entende comumente por um hospital. É que na área não há consultórios, o médico vai até os pacientes nas poltronas de atendimento que ficam nas proximidades da mesa do profissional de saúde, de onde ele pode observar cada um dos enfermos. Além disso, para os que precisam de cuidados mais intensivos (urgente e grave) há as salas laranja e amarela, equipadas com todos os aparatos necessários, onde os leitos estão fixados em 360 graus diante dos enfermeiros, técnicos e médicos.

Fast-track garante rapidez pra casos de baixa complexidade.
Essas mudanças já foram percebidas nos relatórios de avaliação do próprio HPS. O recorte trimestral é claro: o número de atendimentos no pronto-socorro saltou de 15.268 para 17.290 (alta de 13,2%). O tempo médio de permanência na unidade reduziu de 9 dias para 5. O número de cirurgias cresceu 32,5%, comparado ao trimestre anterior, saindo de 1.409 procedimentos para 1.867. Em cirurgias ortopédicas, principal demanda da unidade, o aumento foi de mais de 60% no número de procedimentos.
Nova administração
As melhorias são fruto da nova gestão do Platão Araújo, gerenciada desde julho deste ano pelo Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano (INDSH), a mesma Organização Social de Saúde (OSS) que administra o Hospital Delphina Rinaldi Abdel Aziz. O instituto é uma entidade filantrópica, sem fins lucrativos, focada na gestão de hospitais, clínicas, unidades de referência e de pronto-atendimento. Foi fundado em 1950, em Minas Gerais, com o passar dos anos, expandiu sua atuação por todo o território nacional e, hoje, responde pela gestão de uma dezena de instituições instaladas no Amazonas, em Minas Gerais, Santa Catarina e Pará.

Juliano Botero, diretor-geral do HPS Platão Araújo
O diretor-geral do Platão, Juliano Botero, explicou como a excelência e a agilidade precisam andar de mãos dadas com a humanização dentro da missão do INDSH para o HPS. Para alcançar esses resultados, a gestão se baseia em indicadores como: tempo de permanecia no hospital, total de cirurgias, taxa de ocupação hospitalar global e outros (estratégicos) que são monitorados em tempo real. Não houve nenhum grande projeto de expansão para as melhorias, mas uma mudança no fluxo dos trabalhos.
“Fizemos reformas para atender melhor dentro das novas propostas, mas o espaço é mesmo. A gente prioriza o fluxo, organizamos o hospital para ser ágil de acordo com a necessidade de cada paciente, sem deixar de prestar um serviço de qualidade”, destacou Botero.
30 dias de pesquisa
Essa estratégia é aplicada em vários “níveis” dentro de tudo que constitui o atendimento. A reorganização da área de atuação é apenas uma dessas aplicações. A diretora técnica, Michele Oliveira, disse que tudo foi baseado nos indicadores e em uma severa pesquisa de 30 dias, realizada assim que o INDSH tomou posse da administração.
“A gente fez uma avaliação inicial do quadro do hospital e mexemos em processos, com pouca necessidade de investimento em recurso humanos, por exemplo. Melhoramos os processos do centro cirúrgico, de exames, de estratificação dos doentes. Isso é a melhora do qualidade de atendimento, é o papel primordial”, disse Michele.

Michele Oliveira, diretora técnica do HPS Platão Araújo
Qualificação e prontidão
Atualmente a unidade possui mais de 750 profissionais contratados diretamente, entre médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas, técnicos de enfermagem e outros. Para todos eles também há uma atenção especial na qualificação e prontidão para os atendimentos.
Agora, o Platão tem uma sala de treinamento para que esses colaboradores possam se atualizar de acordo com a necessidade das práticas médicas, o espaço também é usado para testes práticos e candidatos.
“Tenho um setor específico para isso, existe um Programa Anual de Treinamentos (PAT) obrigatórios. Esse processo não é único, é contínuo e baseado nos indicadores. Nós temos um núcleo de treinamento que capacita não só a assistência, mas toda a parte administrativa, 100% do hospital”, disse Juliano. 
A sala de treinamento é um núcleo de contínuo que capacita os colaboradores da unidade hospitalar.
Resultados e expansões
No Platão há 219 leitos no total, divididos em cinco categorias. Dentre elas é a Clínica Cirúrgica Ortopédica que possui a maior quantidade, com 36 dos leitos por causa da forte demanda pela especialidade, mas a ideia da nova gestão é ampliar uma outra linha de atuação, a de Unidades de Terapia Intensiva (UTI). Por enquanto são duas categorias com 28 leitos, a projeção é ampliar para mais uma, com acréscimo de outras 18 vagas.
Outro foco de atenção também será dado ao “Orquídea”, um setor de cuidados paliativos direcionados em grande quantidade para pacientes terminais. Ele concentra a maior parte da taxa de permanência em ocupação dos leitos pela dinâmica dos pacientes e é um dos pontos de maior aplicação de medicamentos e recursos dentro deste contexto. A gestão pretende fortalecer os atendimentos e também a oferta de serviços cada vez mais individualizados e humanos para quem enfrenta doenças terminais.
Hudson Freitas, gerente administrativo-financeiro do HPS Platão Araújo
O gerente administrativo-financeiro do Platão, Hudson Freitas, destacou que todas as mudanças proporcionam um melhor aproveitamento dos estoques de medicamentos e insumos do hospital, o que também garante, por consequência, economia desses itens através da otimização. Em outras palavras, a nova realidade do HPS permite avanços e projetos, inclusive, um deles será apresentado no fim deste mês para o Governo do Estado, com sugestões de melhorias (entre elas as já citadas aqui).
“Tudo é feito de uma maneira sincronizada, toda a parte de material e medicamento é a terceira maior despesa do hospital, precisamos estar preparados e temos gestão para isso”, destacou.
Avaliação
A OSS possui contrato de cinco anos (renováveis) para a administrar o Platão Araújo e a cada três meses uma avaliação dos resultados é feita pelo Estado. Esse tipo de fiscalização é importante para permitir a liberação de recursos financeiros e verificar se os termos do contrato de administração são cumpridos.
Resultados expressivos: atendimentos cresceram 13,2% e cirurgias aumentaram 32,5%

