
Os complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio, são alvos de uma operação das polícias Civil e Militar, na manhã desta terça-feira, que mobiliza 2,5 mil homens e tem como objetivo cumprir mandados de prisão contra integrantes do Comando Vermelho, 30 deles de outros estados. Promotores do Ministério Público também participam da ação, que é mais uma fase da Contenção. Até o meio da manhã, cinco pessoas morreram, entre elas um policial civil e quatro suspeitos, dois deles da Bahia. Um morador em situação de rua, um homem, uma mulher que estava numa academia, um cabo do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e policial civil da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) foram baleados.
Vinte e três pessoas já foram presas — duas delas estão feridas e foram levadas para o Hospital estadual Getúlio Vargas, informou o telejornal. Entre os presos está o operador financeiro de Edgard Alves de Andrade, o Doca, um integrantes da cúpula do CV na Penha. Houve a apreensão dez fuzis.
Moradores dos conjuntos de favelas, formados por 26 comunidades, usam as redes sociais para relatar intensos tiroteios. Fogo foi ateado em barricadas e foi possível ver colunas de fumaça à distância. Policiais foram atacados por granadas lançadas por drones, afirmou o secretário de Segurança Pública, Victor dos Santos, em entrevista ao Bom Dia Rio. O telejornal mostrou ainda criminosos fugindo por uma área de mata. Há desvios em linhas de ônibus e unidades de saúde e educação com funcionamento suspenso.
Complexos do Alemão e da Penha são alvos de megaoperação para conter avanço do CV
A ação visa a capturar chefes do tráfico do Rio e de outros estados e combater a expansão territorial do Comando Vermelho nos complexos. A operação acontece após de mais de um ano de investigação. A Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) obteve mandados de busca e apreensão e de prisão, que são cumpridos.
Participam da Operação Contenção policiais militares do Comando de Operações Especiais (COE) e das unidades operacionais da PM da capital e da Região Metropolitana. A Polícia Civil mobilizou agentes de todas as delegacias especializadas, das distritais, da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), do Departamento de Combate à Lavagem de Dinheiro e da Subsecretaria de Inteligência.
Além de aparato tecnológico, como drones, a Operação Contenção conta com dois helicópteros, 32 blindados terrestres e 12 veículos de demolição do Núcleo de Apoio às Operações Especiais da PM, além de ambulâncias do Grupamento de Salvamento e Resgate.
Impacto
Por causa da operação, 45 unidades de educação municipais fecharam as portas. Vinte e oito delas ficam no Alemão e outras 17, no Complexo da Penha.
Cinco unidades de Atenção Primária que atendem a região da Penha e do Complexo do Alemão suspenderam o início do funcionamento, informou a Secretaria municipal de Saúde. De acordo com a pasta, elas avaliam a possibilidade de abertura nas próximas horas. Uma clínica da família mantém o atendimento à população, mas suspendeu as atividades externas, como as visitas domiciliares.
De acordo com o Rio Ônibus, 12 linhas de ônibus estão com seus itinerários desviados preventivamente para a segurança de rodoviários e passageiros na Penha e no Complexo do Alemão.
Desvios na Penha
- 721 Vila Cruzeiro x Cascadura
- 312 Olaria x Candelária
- 313 Penha x Praça Tiradentes
- 621 Penha x Saens Peña
- 622 Penha x Saens Peña
- 623 Penha x Saens Peña
- 625 Olaria x Saens Peña
- 628 Penha x Nova América
- 679 Grotão x Méier
Desvios no Complexo do Alemão
- 292 Engenho da Rainha x Castelo
- 311 Engenheiro Leal x Candelária
- 711 Rocha Miranda x Rio Comprido
Série mostra presença de bandidos de fora no Rio
Há duas semanas, a série Conexões do Crime, do EXTRA, mostra como o Comando Vermelho intensifica sua presença em outros estados do país, numa estratégia de nacionalização frente ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Com esse objetivo, o grupo carioca incorpora ou se alia a facções locais, ao mesmo tempo em que abriga, nas comunidades do Rio, traficantes vindos de fora. Em áreas sob domínio da facção no Rio, órgãos de segurança pública fluminenses já identificam a presença de criminosos de 12 estados, como Ceará, Bahia, Rondônia e Minas Gerais. Por outro lado, o CV se espalha por 24 estados e o Distrito Federal.

