O tenente-coronel Hélio Ferreira Lima está preso desde novembro de 2024

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quarta-feira (16) que o tenente-coronel Hélio Ferreira Lima, preso desde novembro de 2024, possa cursar teologia na modalidade de Ensino a Distância (EAD) enquanto cumpre prisão preventiva. O militar também foi autorizado a receber visitas de forma remota, por vídeo, de familiares e amigos próximos.
Hélio Lima, conhecido como um dos “kids pretos”, grupo de elite das Forças Armadas, foi detido no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, durante a Operação Contragolpe, da Polícia Federal. A investigação apura o envolvimento de militares em um plano para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e, possivelmente, atentar contra sua vida.
Pedido por reinserção e fé
O militar solicitou autorização para ingressar no curso superior de Teologia da Faculdade Boas Novas, com aulas 100% online. Segundo a defesa, o objetivo seria buscar “aprimoramento intelectual e reinserção social”, além de reforçar sua conexão espiritual com a religião.
Moraes deferiu o pedido, permitindo que Hélio tenha acesso remoto às aulas e materiais da instituição. A decisão também autoriza que ele receba visitas virtuais de uma lista restrita, composta por sua madrinha, padrasto, irmã, dois amigos e um líder religioso.
Prisão e investigações
Hélio Ferreira Lima foi preso com outros três integrantes do Comando de Operações Especiais do Exército, acusados de participarem de um suposto plano para assassinar Lula e tentar impedir sua posse. Com ele, a Polícia Federal apreendeu um pen-drive contendo um esboço do plano, que não chegou a ser executado. À época, o militar estava lotado em Manaus (AM).
A operação revelou conexões entre membros da elite militar e setores extremistas insatisfeitos com o resultado das eleições de 2022. A investigação segue em sigilo.
Curso à distância e visitas sob monitoramento
Com a decisão do STF, tanto o curso quanto as visitas virtuais deverão ocorrer sob supervisão, respeitando os protocolos estabelecidos pela unidade prisional. A medida reacende debates sobre os limites de direitos educacionais e sociais de presos preventivos envolvidos em casos de alta complexidade.
A defesa de Hélio não comentou a decisão, mas reforça que o militar “mantém boa conduta” e tem interesse em “reconstruir sua vida por meio da fé e do conhecimento”.

