A família alega ter uma decisão judicial que impede novos cortes

Um vídeo que circula nas redes sociais expõe o drama vivido por uma família do bairro Alvorada na zona Centro-sul da capital amazonense, que afirma ter tido a energia elétrica cortada duas vezes em menos de uma semana, mesmo após apresentar uma decisão judicial favorável. O caso envolve a concessionária Amazonas Energia e gerou revolta pela forma como a situação foi conduzida.
Nas imagens, a filha do morador Raimundo Fortunato Ramos, de 74 anos, questiona os funcionários que chegaram ao local sem se identificar e que, segundo ela, foram hostis durante a abordagem. “Como é que eu sei que tu é da Norte Tec, da Amazonas Energia, se você nem se apresentou?”, diz a mulher no vídeo, visivelmente indignada.
Em um trecho, os funcionários se recusam a dizer os nomes ou apresentar documentos. Eles mostram uma suposta petição inicial para justificar a ação, mas não convencem os moradores, que alegam ter uma decisão judicial que impede novos cortes enquanto a ação tramita na Justiça.
“Nunca passei por isso em 35 anos”
Em depoimento gravado, seu Raimundo relata a frustração e o impacto emocional das interrupções:
“Eu moro aqui há 35 anos e nunca tinha passado pelo que eu passei essa semana. Vieram cortar a minha luz duas vezes. Todo esse tempo paguei direitinho. Só que agora chegou num ponto que não deu mais pra pagar. Passei mal com essa situação.”
Segundo ele, a situação se agravou nos últimos meses, com cobranças que ultrapassam R$ 1.400 mensais, valor considerado incompatível com o consumo da residência.
Contas abusivas e liminar desrespeitada
O advogado da família, Adriano Cordeiro, afirma que desde 2023 a família enfrenta cobranças abusivas. Ele aponta que as faturas mensais passaram a ser incompatíveis com o histórico de consumo, com valores que variam entre R$ 1.153 e R$ 1.477, cifras incompatíveis com a realidade econômica de seu Raimundo.
Diante da situação, a defesa entrou com uma ação na Justiça e obteve decisão liminar que suspende cortes de energia enquanto o processo estiver em curso. No entanto, segundo Adriano, mesmo com a liminar em vigor, os cortes continuam acontecendo.
“Eles cortaram a luz mesmo após a liminar, não quiseram se identificar, trataram a família com hostilidade e ainda queriam levar o fio da residência. Isso é um abuso. Estamos recorrendo à Justiça para que esse caso não fique impune”, disse o advogado.

