Renato Junior pediu apoio de autoridades estaduais, nacionais e internacionais; no sábado (17), a qualidade do ar em Manaus chegou à classificação péssima, segundo a Defesa Civil municipal.

O prefeito de Manaus, Renato Junior, pediu ajuda de autoridades estaduais, nacionais e internacionais diante da fumaça que encobre a capital amazonense. Em pronunciamento divulgado nas redes sociais neste sábado (17), ele afirmou que a cidade está sendo sufocada pelos efeitos das queimadas e cobrou providências para proteger a saúde da população.
“Manaus está sendo sufocada e o mais revoltante é que a nossa cidade não está promovendo as queimadas, mas está pagando um preço altíssimo por elas e isso é inaceitável”, declarou.
A gravidade da situação aparece nos dados da Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil (Sepdec). Segundo a Prefeitura de Manaus, a qualidade do ar amanheceu classificada como péssima neste sábado. Às 6h30, a concentração média de partículas finas PM2,5 chegou a 401,4 microgramas por metro cúbico (µg/m³), conforme a leitura de 14 sensores da plataforma PurpleAir.
A zona Norte registrou a maior concentração, com 450 µg/m³. Em seguida, aparecem as zonas Centro-Sul, com 416 µg/m³; Sul, com 396 µg/m³; Leste, com 391 µg/m³; e Centro-Oeste, com 331 µg/m³. De acordo com a Sepdec, o cenário está associado a um novo aumento dos focos de calor no Amazonas.
Diante das condições, as atividades ao ar livre promovidas pela Prefeitura de Manaus foram suspensas até domingo (18). A Defesa Civil também orientou a população a manter a hidratação, evitar exercícios físicos ao ar livre e utilizar máscaras PFF2 quando houver exposição à fumaça. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias devem redobrar os cuidados.
Prefeito cita ações municipais
Durante o pronunciamento, Renato Junior afirmou que a prefeitura tem adotado medidas para reduzir os impactos ambientais e cuidar das áreas verdes da capital. Entre as ações citadas estão o plantio de mais de 40 mil árvores neste ano, a irrigação noturna de praças e árvores e o reforço das campanhas de conscientização nas áreas urbana e rural.
“Estamos fazendo a nossa parte, mas volto a repetir, Manaus não está em chamas, as chamas vêm de outros municípios e até outros estados”, afirmou.
O prefeito também pediu que a população evite a exposição à fumaça e destacou que as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) estão disponíveis para atender pessoas que apresentem sintomas relacionados à poluição do ar.
A exposição à fumaça pode provocar tosse, falta de ar e irritação nos olhos, segundo a Defesa Civil municipal. A orientação é acompanhar os alertas oficiais e procurar atendimento de saúde em caso de sintomas ou agravamento do quadro.
Governador convoca comitê de urgência
O apelo do prefeito ocorre em meio à mobilização do governo estadual contra os incêndios florestais. O governador Roberto Cidade anunciou a convocação urgente do Comitê de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais para definir novas medidas de combate ao fogo, fiscalização e proteção da população.
Segundo o governador, desde que assumiu o cargo, há cinco meses, o Estado reforçou a estrutura de resposta às queimadas. Entre as medidas citadas estão a ampliação de bases permanentes do Corpo de Bombeiros de 11 para 25 municípios, a mobilização de mais de mil bombeiros e a contratação de 153 brigadistas florestais.
O governo também informou que proibiu o uso do fogo em todo o Amazonas por 120 dias e lançou a operação Amazonas Mais Verde. Apesar das ações, Roberto Cidade reconheceu que a situação continua grave e defendeu a intensificação das medidas.
“Mas a situação continua grave. E precisamos agir com ainda mais intensidade”, declarou.
O governador também mencionou o apoio do governo federal, com reforço de brigadistas e aeronaves para as operações de combate aos incêndios.
Ao final do pronunciamento, Renato Junior voltou a cobrar providências e afirmou que a população não deve continuar sofrendo os efeitos das queimadas.
“Não podemos continuar pagando com a saúde da nossa gente por queimadas que não provocamos. Chega! Precisamos de providências, precisamos de ajuda. Manaus pede socorro”, concluiu.

