Em entrevista à TV Globo, o presidente relacionou o crescimento econômico ao consumo popular, ao microcrédito e ao apoio a pequenos empreendedores

Durante sabatina no Jornal Nacional, da Rede Globo, nesta quinta-feira (15/10), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a distribuição de renda como estratégia para estimular o crescimento econômico e resumiu sua visão com a frase: “Muito dinheiro na mão de poucos é pobreza. E pouco dinheiro na mão de muitos é riqueza.”Lula foi quetionado pela jornalista Renata Lo Prete sobre a dívida pública e as críticas de economistas à condução da política fiscal do governo.
Ao explicar sua posição, o petista afirmou que aposta no fortalecimento da chamada microeconomia, com iniciativas voltadas ao acesso ao crédito, aos microempreendedores individuais (MEIs) e aos pequenos negócios. Para o presidente, a circulação de dinheiro entre a população estimula a atividade econômica e amplia as oportunidades de geração de renda.
“É por isso que eu aposto muito na microeconomia. É por isso que eu aposto muito no microcrédito. É por isso que eu aposto muito no MEI. É por isso que eu aposto muito no pequeno empreendedor”, afirmou.
Na avaliação dele, facilitar o acesso a pequenos valores de crédito permite que trabalhadores e empreendedores invistam em suas atividades, ampliem os negócios e movimentem a economia. O presidente também defendeu políticas que aumentem o poder de compra da população e citou programas de crédito como parte dessa estratégia.
Dívida pública e crescimento econômico
A pergunta de Renata Lo Prete tratou do aumento da dívida pública durante o governo Lula e das avaliações de economistas de que a trajetória do endividamento exige atenção. A jornalista também perguntou se, em um eventual novo mandato, o presidente adotaria uma abordagem diferente para lidar com as contas públicas.
Lula respondeu que está preocupado com o endividamento e reconheceu os riscos de perder o controle do orçamento. Segundo ele, uma crise fiscal pode atingir principalmente a população mais pobre.
“Eu não quero que a dívida cresça”, afirmou.
O presidente argumentou, porém, que o efeito da dívida depende também da destinação dos recursos. Para ele, o endividamento pode ser justificável quando financia investimentos capazes de ampliar a capacidade produtiva do país, como ferrovias, hidrelétricas e portos que gerem receitas.
“O que faz a economia do Brasil crescer é a chamada microeconomia. É fazer o dinheiro rodar na mão do povo”, declarou.
Combate à fome
Durante a entrevista, o presidenciável também mencionou o combate à fome para defender a importância das políticas sociais e da distribuição de renda. Ele afirmou que, ao deixar o governo em 2014, havia conseguido retirar o Brasil do mapa da fome, mas disse que, ao retornar à Presidência em 2023, encontrou novamente milhões de brasileiros em situação de insegurança alimentar.
Lula usou a referência para sustentar que o crescimento econômico precisa alcançar a população de menor renda. Na visão do presidente, a melhora das condições de vida e o acesso a recursos financeiros devem caminhar junto com o desenvolvimento do país.
A entrevista expôs, assim, a linha de raciocínio que Lula defende para a economia: ampliar a renda e o acesso ao crédito para estimular o consumo e os pequenos negócios, enquanto o governo busca administrar a dívida pública e direcionar recursos para investimentos produtivos.

