Com 121 cadeiras, o PL de Flávio Bolsonaro terá a maior bancada eleita por um único partido desde 1988, mas dependerá de aliados para formar maioria na Câmara

resultado das eleições de domingo (4/10) redesenhou a composição da Câmara dos Deputados para a legislatura que começa em fevereiro de 2027, com mais força para as bancadas conservadoras de direita e centro-direia (o centrão). Embalado pelo desempenho do senador Flávio Bolsonaro, que avançou para o segundo turno em primeiro lugar, o PL elegeu 121 deputados e terá a maior bancada individual da Casa.
Com 121 cadeiras, o PL ocupará cerca de 24% das 513 vagas. É a maior bancada eleita por um único partido desde a Constituição de 1988, com 24 deputados a mais do que os 97 eleitos pela legenda em 2022.
A nova legislatura tomará posse em 1º de fevereiro de 2027 e terá 301 parlamentares reeleitos, o equivalente a 58,6% dos titulares eleitos ou efetivados durante a legislatura atual.
As federações e a distribuição das bancadas
Atrás do PL, partido do presidente nacional Valdemar Costa Neto e dos deputados federais eleitos pelo Amazonas, Sargento Salazar e Alfredo Nascimento, aparecem duas federações: a Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, e a União Progressista, de União Brasil e PP.
A federação PT-PCdoB-PV terá 88 deputados, seis a menos do que em 2022. O PT, com 70 eleitos, continua como principal partido do grupo; o PCdoB fez 11 deputados e o PV, sete. A federação reúne as três legendas em uma estrutura que exige atuação conjunta por pelo menos quatro anos.
A União Progressista também terá uma das maiores bancadas e deverá ocupar espaço nas negociações sobre a Mesa Diretora, as presidências de comissões e a maioria em votações relevantes. O União Brasil, da deputada federal eleita no Amazonas Joana Darc, terá 46 deputados, a terceira maior bancada por partido, e o PP terá 41.
Fora das federações, o PSD, do senador Omar Aziz, aparece com 43 deputados, seguido pelo Republicanos (41), de Amon Mandel, e pelo MDB (36), de Saullo Viana e Adail Filho. O Podemos também terá uma bancada relevante, com 27 parlamentares.
A concentração das cadeiras nas cinco maiores bancadas (PL, PT-PCdoB-PV, União Progressista, PSD e Republicanos) será um dos principais fatores para definir o funcionamento da Câmara, pois o tamanho dos grupos influencia a distribuição de comissões, relatorias e participação na Mesa Diretora.
Maioria só com negociação
O PL, apesar de liderar com folga, não terá votos para conduzir sozinho as decisões da Câmara. Uma matéria que exige maioria absoluta precisa de 257 votos; em uma Proposta de Emenda à Constituição, o número sobe para 308 deputados, em dois turnos.
A próxima legislatura deverá, portanto, ser marcada pela negociação entre as maiores bancadas. O PL terá força para liderar articulações, mas precisará de aliados para formar maioria. Do outro lado, a federação PT-PCdoB-PV poderá atuar como principal bloco de oposição, caso o próximo governo seja comandado pelo campo adversário.
União Brasil e PP, reunidos na União Progressista, terão papel relevante e poderão funcionar como uma das principais pontes para a formação de maiorias. PSD e Republicanos, pelo tamanho de suas bancadas, também poderão decidir votações apertadas.
O resultado ainda deixa espaço para o chamado Centrão: partidos de centro e centro-direita, mesmo fora da maior bancada individual, podem reunir votos suficientes para definir a aprovação de projetos e a composição dos principais cargos da Câmara.
A disputa pela Presidência da Câmara será, portanto, um dos primeiros testes dessa nova correlação de forças. A escolha depende da construção de uma maioria entre partidos e federações, e o tamanho das bancadas será um dos principais instrumentos de negociação.
A composição também afetará a agenda do próximo governo. Projetos que dependam de maioria simples poderão ser aprovados com alianças pontuais, enquanto propostas que exigem quóruns maiores, como mudanças constitucionais, demandarão acordos mais amplos.

