Dez anos após comandar processo contra a petista, ex-presidente da Casa recebeu 31.799 votos para deputado federal em Minas Gerais

O ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (Republicanos) não conseguiu se eleger deputado federal por Minas Gerais neste domingo (4). Ele recebeu 31.799 votos em sua tentativa de retornar à Casa dez anos depois de ter comandado o processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT).
Cunha aparece na apuração com os votos classificados como “anulados sub judice” em virtude de uma disputa judicial sobre o registro de sua candidatura, que ainda não teve decisão definitiva na Justiça Eleitoral. Pelas regras eleitorais, votos nessa condição podem ser validados posteriormente caso a decisão sobre o registro seja revertida.
A candidatura por Minas Gerais marcou uma mudança na trajetória eleitoral de Eduardo Cunha, que construiu sua carreira política no Rio de Janeiro, disputou uma vaga à Câmara por São Paulo em 2022 e, neste ano, transferiu o domicílio eleitoral para Minas para tentar retornar ao Congresso.
Cunha foi eleito deputado federal pelo Rio em 2006, 2010 e 2014 e chegou à presidência da Câmara em fevereiro de 2015. Em dezembro daquele ano, aceitou o pedido de impeachment de Dilma, processo que terminou com o afastamento definitivo da petista em agosto de 2016.
Investigações e cassação
Na mesma época, porém, Cunha já estava no centro de investigações de corrupção ligadas à Petrobras.
Em março de 2016, o Supremo Tribunal Federal (STF) o tornou réu sob acusação de corrupção passiva em um caso que envolvia a suspeita de recebimento de pelo menos US$ 5 milhões em propina relacionada a um contrato da estatal.
Meses depois, a Corte também recebeu outra denúncia que envolvia corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e contas mantidas na Suíça. Cunha sempre negou as acusações. Portal da Câmara dos Deputados
Em maio de 2016, o STF afastou Cunha do mandato e da presidência da Câmara ao considerar que ele usava o cargo para tentar embaraçar investigações.
Quatro meses depois, o plenário da Casa cassou seu mandato por 450 votos a 10, após concluir que ele havia mentido à CPI da Petrobras ao negar a existência de contas no exterior.
Informações SBT News

