
Um gesto da primeira-dama Janja Lula da Silva repercutiu nos bastidores políticos nesta terça-feira, 29 de setembro de 2026, durante um ato de campanha em Salvador (BA). Nas imagens capturadas em vídeo e amplamente divulgadas, Janja aparece lendo e impedindo o presidente Lula (PT) de erguer um cartaz com os dizeres “Não à redução da maioridade penal”, entregue por um apoiador durante a “Grande Caminhada da Vitória”.
O evento reuniu o governador da Bahia e candidato à reeleição, Jerônimo Rodrigues (PT), além de lideranças como os ministros e candidatos ao Senado Jaques Wagner e Rui Costa. A mobilização representou o último compromisso político de Lula na região Nordeste antes do primeiro turno das eleições, marcado para o próximo domingo, 4 de outubro de 2026. Segundo relatos de integrantes do PT baiano veiculados pela imprensa, a decisão de transferir o ato de Feira de Santana para a capital baiana teria partido da própria primeira-dama.
O peso político do debate sobre a maioridade penal
O tema da redução da maioridade penal é tratado com cautela por auxiliares do Palácio do Planalto, que avaliam a pauta como uma armadilha eleitoral para o governo. A discussão ganhou força no Congresso Nacional após a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovar, em junho, a PEC 32/2015, que propõe a redução de 18 para 16 anos. Para avançar, a matéria ainda precisa tramitar por uma comissão especial e passar por dois turnos de votação no plenário da Câmara e do Senado.
Enquanto a oposição — representada na disputa nacional por nomes como o candidato Flávio Bolsonaro (PL), que inclui em sua plataforma a redução para 16 anos e a responsabilização a partir dos 14 anos em crimes graves — aposta no endurecimento das leis penais, o programa de governo de Lula foca em políticas de prevenção à violência e justiça restaurativa. Historicamente opositor à medida, o presidente já argumentou publicamente que a flexibilização da idade penal abriria margem para reduções sucessivas. Diante da repercussão do episódio em Salvador, nem o presidente nem a primeira-dama se pronunciaram oficialmente até o fechamento desta reportagem.

