Eurico Tavares denunciou que projeto sobre apoio a autistas na escola foi retirado da ordem do dia enquanto legislação simbólica avançava; presidente da sessão garantiu a inclusão ao vivo.

retirada de um projeto voltado ao atendimento de crianças autistas e com doenças raras provocou um embate durante a sessão da Câmara Municipal de Manaus (CMM), nesta segunda-feira (21). O vereador Eurico Tavares (PSD) criticou a decisão de retirar o PL nº 475/2026 da pauta e questionou a prioridade dada a outras propostas em votação.
“Eu achei o cúmulo do absurdo chegar aqui e o meu projeto ter saído da pauta”, disse Tavares da tribuna. Na avaliação do vereador, enquanto sua proposta ficou de fora, outros projetos que, segundo ele, têm menor impacto sobre a população avançaram na sessão.
“Enquanto tem projetos que não mudam a vida de ninguém, que não servem praticamente para nada e vão para a votação”, afirmou.
Segundo Tavares, a justificativa apresentada pela Mesa Diretora para retirar o projeto da ordem do dia foi o excesso de itens na pauta. O vereador contestou o argumento e afirmou que os 41 parlamentares estão na Casa para trabalhar e produzir.
A reclamação provocou uma intervenção do 1º vice-presidente da CMM, Jander Lobato, que presidia a sessão. Para encerrar o impasse, Lobato garantiu que o projeto seria reincluído. “Vossa Excelência terá o seu projeto de lei em pauta hoje ainda”, afirmou. Tavares agradeceu e encerrou a manifestação.
Projeto trata de apoio a crianças autistas
O PL nº 475/2026 estabelece medidas de apoio especializado a educandos com transtorno do espectro autista e doenças raras na rede municipal de ensino de Manaus.
Presidente da Frente Parlamentar TEA+, Tavares afirmou que recebe relatos de famílias sobre crianças autistas que acabam afastadas informalmente das escolas por falta de mediadores em sala de aula.
“Tem criança autista sendo expulsa da escola sem que tenha a expulsão no papel”, afirmou. Ele classificou a situação como uma “expulsão silenciosa”, provocada, segundo os relatos recebidos, pela falta de suporte durante crises dentro da sala de aula.
O vereador também afirmou ter solicitado à Secretaria Municipal de Educação informações sobre o número de mediadores disponíveis na rede municipal, mas disse ainda aguardar resposta do órgão.

