
O senador e candidato ao Governo do Amazonas Omar Aziz (PSD) criticou, nesta quinta-feira, 17, operações da Polícia Federal (PF) que destruíram balsas utilizadas no garimpo ilegal no interior do estado. A declaração ocorreu durante entrevista ao G6, grupo formado pelos portais Amazonas Atual, BNC Amazonas, Portal Único, Portal do Marcos Santos, Portal Mário Adolfo e Blog do Hiel Levy, no contexto da campanha eleitoral de 2026.
Aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com apoio formal da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, Aziz defendeu na entrevista a criação de cooperativas para regulamentar a exploração de ouro no Amazonas e afirmou que o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) deveria participar da autorização dessas organizações. O senador classificou como “hipocrisia” impedir a exploração do minério e defendeu uma atividade com limites ambientais.
Crítica à destruição das balsas
“A Polícia Federal faz uma batida lá, queimou 500 balsas. Até hoje eu estou esperando a PF me apresentar o nome do narcotraficante. O Ministério Público me apresentar o nome do traficante”, declarou. Segundo o senador, parte das pessoas envolvidas na atividade seria formada por trabalhadores pobres que buscariam o garimpo como forma de subsistência.
As operações federais citadas ocorrem no âmbito da atuação de órgãos do próprio governo federal contra o garimpo ilegal. Em 2024, por exemplo, a Operação Prensa, coordenada por Funai, PF e Ibama, destruiu 459 balsas na calha do Rio Madeira, no Amazonas, em sete dias; em março de 2025, a Operação Xapiri destruiu outras 31 balsas na região do mesmo rio.
No Amazonas, a atuação federal continuou em 2026. Entre 9 e 13 de julho, a PF e o ICMBio realizaram a Operação Pirá’ákãg na Estação Ecológica Juami-Japurá, unidade de conservação federal, e apreenderam ou inutilizaram 11 dragas, além de outras embarcações, motores, geradores e aproximadamente 48 mil litros de combustível. A ação resultou ainda em três autos de infração ambiental, com R$ 1.622.800 em multas.
A destruição das estruturas está relacionada aos impactos provocados pela própria atividade. Segundo a Funai, as balsas utilizadas no garimpo revolvem o leito dos rios, movimentam sedimentos e podem utilizar mercúrio na separação do ouro, contaminando a água e afetando peixes e outros organismos aquáticos. O órgão também registra destruição de habitats, alteração dos rios e descarte de resíduos de óleo diretamente nos cursos d’água.
A Funai também relaciona esses impactos às comunidades que dependem dos rios para alimentação e abastecimento. Na Operação Prensa, realizada em 2024, o órgão informou que a degradação provocada pelo garimpo atingia diretamente a saúde e a segurança alimentar de comunidades indígenas próximas às áreas exploradas, além de registrar invasões de terras indígenas e outros problemas associados à atividade ilegal.
A existência de investigações sobre possíveis financiadores também aparece em operações federais. Em agosto, PF e Ibama inutilizaram dez dragas utilizadas na extração ilegal de ouro no Rio Madeira, em Rondônia, e informaram que as fiscalizações buscavam identificar responsáveis, eventuais financiadores e outros envolvidos na cadeia de exploração mineral. Em setembro, outra ação da PF e do Ibama inutilizou 15 dragas e apreendeu mercúrio no baixo Rio Madeira.
No Amazonas, uma operação integrada da Funai, PF e Ibama realizada em 2024 havia destruído 459 balsas e identificado um esquema em que indígenas eram submetidos a condições análogas à escravidão em uma das terras indígenas fiscalizadas. Segundo a Funai, a PF passou então a buscar os financiadores do garimpo, enquanto as estruturas eram inutilizadas para impedir a retomada da atividade ilegal.

