
Diálogos interceptados pela Polícia Civil de São Paulo durante a Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira (17), apontam que José Daniel Satilite, conhecido como “Alemão”, teria atuado como intermediário entre empresários, advogados, políticos e integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo os investigadores, Alemão era sócio-proprietário da Translider e participava de negociações envolvendo a Refinaria Fanal Derivados de Petróleo. A aquisição da empresa, conforme os relatórios policiais, estaria avaliada em cerca de R$ 40 milhões.
“Laranja” em negócio milionário
De acordo com as investigações, Alemão teria sido utilizado como “laranja” na negociação da refinaria, enquanto um integrante do PCC que está preso teria participação na aquisição do empreendimento.
Em conversas interceptadas, o investigado é cobrado por um integrante da facção sobre sua participação no negócio. As mensagens também mencionam encontros com integrantes do PCC, questões relacionadas à empresa Fanal e uma companhia de transporte de Leme, no interior paulista.
A polícia afirma ainda que Edivânia Arruda Botelho Alves, também alvo da operação, era responsável por repassar a Alemão mensagens de um integrante do PCC que está preso.
Advogados também são investigados
A operação também colocou sob investigação advogados apontados pela polícia como participantes das tratativas em benefício da organização criminosa.
Cícero José dos Santos Filho e Milton Mello Milreu foram alvos de mandados de prisão temporária. Segundo a investigação, Milreu teria utilizado o escritório de advocacia para reuniões de integrantes do grupo e a conta bancária da empresa para movimentações financeiras investigadas.
Já Cícero é descrito pela polícia como integrante do PCC e ligado à chamada “Sintonia dos Gravatas”, núcleo da facção formado por advogados, além de ser apontado como interlocutor direto de Alemão.
Um terceiro advogado, identificado nas investigações como advogado pessoal de Alemão e proprietário de empresas de transporte, também é investigado por suposta atuação junto a integrantes da facção no setor de transportes e em procedimentos licitatórios.
As informações fazem parte das investigações da Operação Vectura Corrupta e, até o momento, tratam-se de suspeitas apontadas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo.

