
O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, afirmou à Procuradoria-Geral da República (PGR) ter vídeos que mostrariam entregas de malas de dinheiro a emissários definidos pelo banqueiro Daniel Vorcaro. As informações constam de uma proposta de delação premiada apresentada pelo empresário à PGR. O acordo foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que deverá decidir sobre a homologação.
Segundo a proposta, Freixo admitiu que era responsável por entregar dinheiro em espécie a pessoas indicadas por Vorcaro.
Ex-ministro de Bolsonaro teria sido citado
De acordo com a apuração divulgada, Freixo teria citado um ex-ministro do governo Jair Bolsonaro como um dos supostos receptores das malas de dinheiro. O empresário afirmou ainda possuir vídeos que poderiam comprovar as entregas.
As informações, no entanto, fazem parte de uma proposta de colaboração premiada e ainda precisam ser analisadas pelas autoridades. A eventual homologação do acordo não representa, por si só, comprovação das acusações apresentadas pelo colaborador.
Empresário é ligado à operação de Vorcaro
Freixo é dono da empresa Entre Investimentos, apontada na reportagem como uma empresa utilizada por Vorcaro em seus esquemas. Na proposta apresentada à PGR, o empresário teria relatado que realizava os repasses de dinheiro solicitados pelo banqueiro, mas afirmou que não tinha conhecimento sobre a destinação final de todos os recursos movimentados.
Entre os episódios mencionados está o financiamento relacionado ao filme Dark Horse, produção sobre Jair Bolsonaro.
Dinheiro do filme teria sido enviado aos Estados Unidos
Segundo o relato apresentado aos investigadores, Freixo afirmou que não sabia qual seria a destinação efetiva de determinados recursos movimentados para Vorcaro. Entre eles estaria o dinheiro relacionado ao filme Dark Horse, cujo patrocínio teria sido negociado por Vorcaro com Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
De acordo com a reportagem, os recursos foram enviados a um fundo nos Estados Unidos administrado por um advogado aliado de Eduardo Bolsonaro.
Mendonça deverá ouvir empresário
O ministro André Mendonça deverá analisar se Freixo apresentou a proposta de delação de maneira espontânea. Um juiz auxiliar do gabinete do ministro deve ouvir o empresário na terça-feira (8). A oitiva faz parte do procedimento de avaliação de acordos de colaboração premiada.
A análise deverá verificar, entre outros pontos, as condições em que a colaboração foi apresentada antes de uma eventual homologação do acordo.

