
A advogada Caroline Frota, que representa a família do professor Vinicius Siqueira Figueiredo, ferido a facadas por aluno em aula de reforço, disse que o pai do adolescente que atacou Vinicius foi ao local, reprovou a atitude do filho, mas não prestou socorro à vítima.
Segundo Caroline Frota, quem realmente socorreu o professor foi um dentista que ouviu os gritos dele na escola de reforço pedagógico no bairro Adrianópolis, zona centro-sul de Manaus.
“Ele nos relatou que o pai foi buscar o filho e disse a frase: ‘Você fez besteira, você fez merda’. E olhou o Vinícius ensanguentado, não prestou socorro em nenhum momento. Quem prestou socorro, chamou o Samu, foi esse cirurgião-dentista, que ouviu os gritos, que presenciou todo o cenário ali do crime”, afirmou a advogada.
Caroline Frota disse que a família teve dificuldade para registrar o boletim de ocorrência como tentativa de homicídio. “A família encontrou problemas na hora de fazer o boletim de ocorrência porque não queriam registrar lá no 1º DIP (Distrito Integrado de Polícia) como uma tentativa de homicídio, queriam registrar como se fosse uma lesão corporal. Imagine só, nove facadas. Ali tá claramente uma tentativa de homicídio”.
Conforme Caroline Frota, o adolescente teria premeditado o ataque e se aproveitado da confiança do professor, que estava de costas, limpando o quadro, no momento em que foi atacado.
“Ele se preparou, levou uma faca até o local do crime, ele já pretendia tirar a vida do Vinícius, tanto é que foram nove cruéis facadas”, enfatizou.
De acordo com a advogada, o adolescente atacou o professor após receber uma nota baixa (nota 3) em uma avaliação. Vinicius havia assumido as aulas de reforço do aluno a pedido de uma professora que já o acompanhava há dois anos e via dificuldade de aprendizado dele.
De acordo com a advogada, o aluno não demonstrou revolta contra os professores após o resultado da prova.
Caroline informou que a saúde do professor piorou. Ele estava estável, mas ocorreu um sangramento interno. Segundo ela, Vinicius também desenvolveu estresse pós-traumático. “Com muito medo de morrer, muito inseguro, e a família está muito chocada”, disse.
‘Algo animalesco’
O pai do professor, Teurinho Figueiredo, afirmou em entrevista coletiva que não teve coragem de assistir às imagens do ataque. “Meu filho é o Vini, é o meu único filho, de 23 anos. Ele é estudante universitário e, para ganhar seu dinheirinho, dá aula de reforço particular. Isso já faz uns dois anos”, revelou.
Emocionado, ele classificou o ataque como injustificável. “Me parece que é algo animalesco, algo que não há como explicar, não há nada que possa justificar tamanha violência. Estou com o coração destroçado, é o meu único filho”, disse.
Teurinho afirmou que denunciou o adolescente à polícia para que o caso seja tratado com a devida gravidade. “Preciso, como pai, adotar o que é preciso fazer dentro da lei, para que esse infrator, o menor, seja responsabilizado”.

