Servidor de 29 anos ingressou na Polícia Civil do Amazonas após concurso e já comandou delegacia no interior do estado

O delegado John Allan Cunha Castilho, de 29 anos, da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), foi preso preventivamente nesta quarta-feira (26), em Manaus, durante uma operação que investiga o roubo de 30 quilos de ouro e R$ 800 mil em dinheiro, ocorrido em Boa Vista (RR).
Natural de Goiás, Castilho ingressou na Polícia Civil do Amazonas após ser aprovado no concurso público de 2021. O resultado final foi homologado em 2024 e ele tomou posse em dezembro daquele ano. O delegado possui pós-graduação em Segurança Pública, Direito Penal e Processo Penal.
Atuação na Polícia Civil do Amazonas
Durante sua carreira na PC-AM, John Castilho já atuou como titular do 75º Distrito Integrado de Polícia (DIP), em Barcelos, no interior do Amazonas. Atualmente, era titular da delegacia de Manacapuru, na Região Metropolitana de Manaus.
Em março deste ano, por exemplo, Castilho chegou a conduzir investigações de um homicídio registrado em Manacapuru, onde prestava atendimento como delegado titular da unidade.
O que motivou a prisão
A prisão é um desdobramento de uma investigação conduzida pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), da Polícia Civil de Roraima, sobre um crime ocorrido em 29 de março, no bairro Caçari, em Boa Vista.
Segundo as investigações, uma negociação envolvendo 30 quilos de ouro e R$ 800 mil teria sido transformada em uma falsa abordagem policial. O grupo teria utilizado viatura, armas, distintivos e roupas semelhantes às utilizadas por policiais para simular uma operação e tomar o ouro e o dinheiro.
Além de John Castilho, também foi preso o investigador Diego Gabriel Rodrigues de Araújo, que atua na Polícia Civil do Amazonas.
Delegado é suspeito de participação no esquema
De acordo com informações divulgadas sobre a investigação, Castilho seria primo do influenciador Ivan Luiz Bastos Guimarães, conhecido como “Itz Ivan”, apontado como um dos envolvidos no caso.
As apurações indicam que Ivan teria acionado o delegado, que por sua vez teria recrutado o investigador Diego Araújo. Os dois teriam viajado do Amazonas para Roraima durante a preparação da ação.
Ainda conforme a investigação, Castilho teria permanecido do lado de fora do imóvel durante a falsa abordagem, dando suporte à ação, enquanto outros envolvidos entraram no local para simular uma apreensão policial.
Investigação aponta prejuízo superior a R$ 23 milhões
A investigação não se limita ao roubo ocorrido em Boa Vista. Segundo as autoridades, outros crimes também são analisados e o prejuízo atribuído ao grupo ultrapassa R$ 23 milhões. A Justiça determinou ainda o bloqueio de aproximadamente R$ 20 milhões em bens, imóveis e valores relacionados aos investigados.
A Polícia Civil do Amazonas confirmou que um delegado e um investigador da instituição foram alvos da operação e informou que está colaborando com as investigações. A corporação também afirmou que o caso será encaminhado à Corregedoria-Geral do Sistema de Segurança Pública para apuração da conduta dos servidores.
As prisões são preventivas e a investigação ainda está em andamento. A participação individual de cada suspeito deverá ser esclarecida no decorrer do processo, não representando, neste momento, condenação definitiva.

