Comunicado afirma que advogado deixa comando da empresa “por tempo indeterminado” para cuidar da família e acompanhar “desdobramentos” da investigação

O advogado Nelson Wilians comunicou nesta sexta-feira (14) afastamento, “por prazo indeterminado”, do escritório que leva seu nome um dia após ele ser alvo da operação Arena, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nessa quinta (13).
A força-tarefa fez busca e apreensão na casa do empresário, em São Paulo, em investigação que averigua suspeita de crimes tributários, de lavagem de dinheiro e contra o Sistema Financeiro Nacional por causa da atuação dele no mercado de apostas online, as bets.

Em nota, a Nelson Wilians Advogados informou que, a partir de hoje, a administração passará ser comandada por um comitê executivo, para “assegurar a continuidade das operações, a governança institucional e o relacionamento com clientes, colaboradores, parceiros e demais públicos de interesse”.
O comunicado disse que a decisão foi tomada pelo próprio advogado, que “optou por dedicar-se neste momento ao cuidado de sua família”. O escritório também afirmou que o afastamento “permitirá que ele acompanhe os desdobramentos da apuração em curso e permaneça à disposição das autoridades para os esclarecimentos que se fizerem necessários”.
Leia nota:
“A NWADV informa que o Dr. Nelson Wilians decidiu afastar-se, por prazo indeterminado da NWADV.
A partir desta data, a administração da NWADV passa a ser exercida por um Comitê Executivo, que será responsável por assegurar a continuidade das operações, a governança institucional e o relacionamento com clientes, colaboradores, parceiros e demais públicos de interesse.
A decisão foi comunicada pelo próprio Dr. Nelson Wilians, que optou por dedicar-se neste momento ao cuidado de sua família. O afastamento também permitirá que ele acompanhe os desdobramentos da apuração em curso e permaneça à disposição das autoridades para os esclarecimentos que se fizerem necessários.
A NWADV reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e a plena colaboração com as autoridades
competentes. Ao longo de sua trajetória, o escritório construiu uma estrutura que hoje reúne mais de 1.500 colaboradores e atende mais de 15 mil clientes ativos em todo o país
pessoas e famílias que confiam diariamente no trabalho da NWADV, e às quais a instituição permanece integralmente dedicada.“
Operação da PF
A 4ª Vara Federal da Paraíba, responsável por expedir os 17 mandados de busca e apreensão cumpridos ontem pela PF, também autorizou sequestro em bens e valores de até R$ 1,1 bilhão, montante equivalente às estimativas de recursos supostamente envolvidos nas irregularidades, e medidas de quebra de sigilo bancário e telemático. Além de SP, ordens judiciais foram cumpridas em 14 localidades na PB, no Paraná, no Rio de Janeiro e em Sergipe.
Os agentes buscaram arquivos digitais da relação de Wilians, um dos principais advogados tributaristas do país, com a PixBet, empresa de jogos de apostas alvo de investigação por lavagem de dinheiro, evasão de divisas, entre outros crimes.
Wilians é apontado como operador financeiro da empresa. A defesa dele nega. Em nota, afirmou que a relação “é estritamente profissional”, “não se confundindo com as atividades empresariais”.
Um dos objetos da investigação é um contrato entre a empresa de apostas e o advogado. Segundo informações apuradas pelo SBT News, o acordo teria valor de cerca de US$ 20 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 102 milhões, em honorários advocatícios.
A PixBet teve licença suspensa nessa quinta pelo Ministério da Fazenda, que determinou interrupção imediata das operações de domínios da marca (PixBet, GanheiBet e Bet da Sorte).
A PF também apura a emissão de R$ 37,8 milhões em notas fiscais pelo escritório do advogado para uma empresa que seria de fachada e estaria localizada em um paraíso fiscal no Caribe.
Segundo a investigação, Wilians teria recebido os valores da PixStar, empresa sediada em Curaçao que, de acordo com a PF, teria sido utilizada para lavagem de dinheiro.
Os recursos das bets seriam enviados à PixStar e retornariam ao Brasil por meio do pagamento das notas emitidas para o escritório do advogado.
Colunistas

